A folha seca desbotou o verde.
O laranja marca a ausência
de tempo
para olhar
para o chão.
terça-feira, 20 de outubro de 2009
terça-feira, 1 de setembro de 2009
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Frio I
Sentado sobre a pedra
Ele via o mar
Ele não via a pedra
Ele não via o céu
Apenas o mar
Monte de água
Salgada
O mar que esmigalha
A pedra na qual
Ele
Está sentado
Pouco a pouco
A pedra
Pouco o que resta
Da visão
Do homem
Da pedra
Do mar.
Ele via o mar
Ele não via a pedra
Ele não via o céu
Apenas o mar
Monte de água
Salgada
O mar que esmigalha
A pedra na qual
Ele
Está sentado
Pouco a pouco
A pedra
Pouco o que resta
Da visão
Do homem
Da pedra
Do mar.
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Álbum XII
Eu canto. Coloco em xeque os seus mais doces sentimetos quando você me diz o que é a felicidade ou o momento presente. Te apresento o meu amigo silêncio para ver se ele nos ajuda a resolver as diferenças. Pode ser, um dia.
sábado, 4 de julho de 2009
Álbum XI
Abriu a caixa de fotografias. Não havia fotos, só negativos rotos. Na estante viu os álbuns: 93,94,97,98. Faltavam alguns anos para que ela se formasse em fotografia. Faltavam outros em sua memória.
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Aída III
Ela não saíra do quarto desde que ele começara a preparar a mala. E dizia que assim a mala não fecharia, esse modo de dobrar as blusas não era a melhor forma de arrumar uma mala, melhor rolinhos com gominhas, assim caberia mais e sobraria mais espaço, e essas meias, não dá para deixar assim, todas soltas, e ia à área buscar um saquinho, em menos de dois minutos voltava. Ao fim ele fechou a mala sem dificuldade. Quando ele foi ao banheiro ela sentiu uma vontade imensa de chutar a parede, a mala, a cama e quebrar o abajour. Mas nada fez. Apenas desmontou o quebra-cabeça que eles demoraram algumas semanas para montar. Ele voltaria do banheiro e se perguntaria porquê, mas não diria a ela, com medo de que um ímpeto de fúria a atacasse. Achou melhor abraçá-la, a resposta dela foi empurrá-lo, como quisera fazer com a mala, a cama e... O empurrou e foi ao banheiro. Levou uma revista de viagens consigo, com bonitas fotos. A revista continuou fechada enquanto ela chorava lá dentro.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Aída II
Ele fechou a mala sentando-se em cima dela. Fechada a mala, não conseguia mais se levantar quando ela entrou no quarto com um sorriso tranquilo e triste. Ela o ajudou a levantar-se. E o abraçou. Ele chorou enquanto ela acariciava o seu rosto sem deixar cair uma lágrima. Ela o ajudou a carregar a mala.
domingo, 24 de maio de 2009
Aída I
Fechou as malas. Abriu a porta do quarto e abraçou-lhe com a pouca força que ainda lhe restava. Quando quis beijar-lhe, viu que suas lágrimas não eram únicas. Se abraçaram com vontade de não soltar jamais. Ainda faltava uma coisa para colocar na mala. Piegas, um coração.
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Álbum X
Ele pediu para entrar. Você o deixou invadir sua estante. Ele lhe pediu um pouco mais de espaço. Então você tirou o seu violão para dar lugar às suas roupas, logo os seus casacos para dar lugar aos seus cremes, os seus livros para dar lugar aos álbuns e logo você para dar lugar a ele.
domingo, 3 de maio de 2009
Álbum IX
O desespero surgiu da bomba que ele sabia trazer no peito. Nesses momentos de ausência, de tudo que não é nada, do vazio da alma, do zero à esquerda, ele queria sumir.
Normal se sentir assim.
Normal se sentir assim.
terça-feira, 28 de abril de 2009
quarta-feira, 22 de abril de 2009
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Álbum VII
Sem querer ele a empurrou enquanto passava.
Não a viu cair, nem seus cacos pelo chão.
Hoje o copo não é de cristal como o de outrora.
Ele continua empurrando pessoas sem ver.
E ela trabalha com elásticos.
Não a viu cair, nem seus cacos pelo chão.
Hoje o copo não é de cristal como o de outrora.
Ele continua empurrando pessoas sem ver.
E ela trabalha com elásticos.
sábado, 11 de abril de 2009
Álbum VI
Eles construiram aquela caixa com pedaços de madeira que foram encontrando pelo caminho. Ele dizia a ela: faremos a caixa mais linda e firme nunca antes feita. Com a mão cheia de galhos, ela sorria. Hoje restam varetas envoltas com uma corda destecida.
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